Texto sobre gagueira escrito por Suzana Herculano Houzel

Posted on maio 31, 2013

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Suzana Herculano-Houzel é uma neurocientista brasileira bastante conhecida por seu trabalho de divulgação científica. Graduada em biologia pela UFRJ, possui mestrado, doutorado e pós-doutorado em neurociência. Desde 2002 é professora adjunta do Departamento de Anatomia da UFRJ, onde leciona neuroanatomia e coordena um produtivo laboratório de pesquisa em neuroanatomia comparada. Seu trabalho adquiriu notoriedade internacional em 2012, depois que publicou no periódico PNAS um estudo demonstrando que o número estimado de neurônios no cérebro humano é cerca de 14% menor do que o imaginado — 86 bilhões, e não 100 bilhões como se pensava antes. Por conta da grande repercussão obtida com o estudo, Suzana tornou-se a 1ª brasileira convidada a ser palestrante na prestigiada conferência TED Global, uma espécie de cúpula internacional de sumidades, na qual recebeu o
epíteto “A mulher que encolheu o cérebro humano” *.
(Crédito da imagem: Flickr da CPFL Cultura).

No texto abaixo, escrito ainda no final da década de 90, Suzana Herculano-Houzel comentou os resultados de um estudo pioneiro sobre gagueira publicado na revista Nature em julho de 1996 (o artigo original do estudo, em formato PDF, pode ser baixado por meio deste link).

Sob coordenação do neurorradiologista Peter T. Fox, o estudo deu início a uma nova era na compreensão científica do distúrbio, ao utilizar ferramentas modernas de neuroimagem funcional para investigar a neurobiologia da gagueira.

Usando PET scan, os neurocientistas puderam verificar em tempo real o que o cérebro de pessoas com gagueira fazia de errado enquanto elas estavam produzindo fala. Eles observaram diferenças importantes de ativação nos dois hemisférios e um padrão de processamento muito menos lateralizado do que o observado em pessoas de fala fluente, o que suscitou a hipótese de um conflito inter-hemisférico na origem do distúrbio (veja nota no final do post)**.

O texto aqui disponibilizado foi extraído do livro “O Cérebro Nosso de Cada Dia – Descobertas da Neurociência Sobre a Vida Cotidiana”, publicado pela primeira vez em 2001 pela editora Vieira & Lent.

Se quiser adquirir a obra completa, visite este link.

Link para ler o texto em tela cheia
Link para visualizar o texto em formato PDF (melhor definição)

* Baixe neste link o fac-símile da entrevista da neurocientista ao jornal O Globo, na qual ela fala de sua pesquisa e da participação na conferência TED Global 2013.

** Em estudos posteriores, os neurocientistas verificaram que a hiperativação do hemisfério direito no cérebro de pessoas com gagueira tem um sentido mais de compensação do que de interferência. Tal como ocorre em algumas formas de afasia, este mecanismo compensatório é necessário devido a um déficit de conectividade funcional no hemisfério esquerdo. Além disso, também foi descoberto que a hiperativação do hemisfério direito em pessoas com gagueira não está restrita à fala, ocorrendo também em outras tarefas motoras dependentes de input auditivo. Para mais detalhes, visite esta página: Pessoas com gagueira integram som e movimento em área diferente do cérebro.

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