“The Kid’s Speech”, Documentário da BBC – primeira parte

Posted on outubro 24, 2011

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Reggie, 10 anos, ao lado de seus pais, Michael e Victoria. Junto com outras duas crianças que gaguejam, William e Bethan, ele protagoniza o tocante documentário The Kid’s Speech (“O Discurso da Criança”), realizado pelo canal BBC e pelo Michael Palin Centre for Stammering Children em homenagem ao Dia Internacional de Atenção à Gagueira. Veja abaixo a primeira parte legendada do documentário.

(As demais partes serão liberadas à medida que a legendagem for sendo concluída.)

(Link para a segunda parte do documentário.)

SINOPSE DO DOCUMENTÁRIO:

Um dos desdobramentos mais úteis do filme “O Discurso do Rei” foi ter colocado em evidência uma condição até então esquecida e menosprezada. Apesar de sua alta prevalência — 5% das crianças desenvolvem gagueira e 1% da população adulta convive com a forma crônica do distúrbio —, e embora seja muitas vezes tão impactante quanto outras condições também relacionadas ao neurodesenvolvimento infantil (como a dislexia e o TDAH), a gagueira persistente do desenvolvimento (ou disfemia) sempre foi vista com muito distanciamento, mistificação e desinteresse pela mídia e pela sociedade.

Trazer à tona este negligenciado tema de saúde e oferecer às pessoas a oportunidade de entendê-lo melhor é o objetivo (por sinal, muito bem cumprido) do excelente documentário The Kid’s Speech (“O Discurso da Criança”), que fala sobre o belo trabalho que vem sendo desenvolvido pelo Michael Palin Centre for Stammering Children, uma entidade sediada em Londres que auxilia crianças que gaguejam e suas famílias.

No documentário, as câmeras seguem três crianças que estão fazendo um curso intensivo de terapia de fala: Reggie, de 10 anos, uma criança com sinais típicos da síndrome de Asperger e que não consegue dividir com os outros sua paixão por dinossauros por causa de seu impedimento de fala; Bethan, 14, cuja gagueira tem piorado progressivamente desde que ela começou a gaguejar aos 5 anos; e William, 11, um garoto cheio de aptidões e talentos, mas que não consegue se perdoar por causa de sua deficiência.

Tão difícil quanto ver as crianças lidando com a pesada carga de desafios e frustrações da gagueira – numa idade em que suas maiores preocupações deveriam idealmente se limitar apenas aos deveres da escola – é ver também o penoso sentimento de culpa dos pais, que sempre tendem a achar que tiveram alguma responsabilidade direta no surgimento do distúrbio. Como diz Alison, mãe de Bethan: “Essa preocupação consome a gente, acho que fomos pais muito protetores com ela”. Entretanto, os avanços científicos já demonstraram que os pais não são os responsáveis pela gagueira de seus filhos.

Ainda assim, no tratamento feito pelo centro, a participação deles é considerada um componente fundamental. Algumas pesquisas têm demonstrado que quanto maior o interesse dos pais em compreender a dificuldade da criança, mais favorável se torna o prognóstico do tratamento. Um maior conhecimento do distúrbio alivia a culpa que eles sentem e também evita que adotem atitudes ineficazes de correção baseadas na equivocada crença de que a gagueira da criança é fruto de problemas emocionais.

Por ecoar o sentimento de respeito e inclusão resumido na famosa frase dita por Colin Firth no filme O Discurso do Rei – “Eu tenho uma voz!” -, este documentário cumpre de forma brilhante a função de garantir às crianças que gaguejam um direito que até agora lhes tem sido sonegado: o de serem ouvidas e compreendidas.

NOTA: 5/5

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