Texto sobre gagueira e bullying dá prêmio a estudante com TDAH

Posted on setembro 6, 2010

1


Judy Hammer-Knisely, fonoaudióloga da clínica de reabilitação infantil Wolfson, em Jacksonville (Flórida, EUA), insere o diminuto aparelho auditivo SpeechEasy na orelha esquerda de Matthew, 13 anos, enquanto seus pais, Dora e Mark Reid, observam atentamente. O estudante recebeu o aparelho como recompensa por ter sido o vencedor da edição 2010 do Prêmio Escolar Sean Anderson.

Jacksonville, Flórida (EUA), 12 jul. 2010 — Matthew Reid é um estudante de 13 anos cujo irmão mais novo, Aidyn, de apenas 2 anos, está lutando contra o câncer. Como se não bastasse, Matthew tem gagueira, o que o torna alvo constante de humilhações e agressões na escola – em outras palavras, bullying. Porém, graças a um eloquente texto que ele escreveu sobre as dificuldades que a gagueira acarreta em sua vida escolar, suas palavras podem agora fluir mais facilmente não apenas na escrita.

A redação de Matthew sobre gagueira e bullying foi escolhida a vencedora do Prêmio Escolar Sean Anderson, um concurso anual que premia alunos com dificuldades de comunicação. Como recompensa, ele recebeu um pequeno aparelho auditivo para tratamento da gagueira conhecido como SpeechEasy, ao qual foi apresentado no Centro de Reabilitação do Hospital Infantil Wolfson, em Jacksonville, Flórida (EUA).

“É maravilhoso. Estava com uma expectativa enorme e agora estou me sentindo muito bem com o aparelho”, disse Matthew depois de alguns minutos de fala fluente com o SpeechEasy. “A gagueira dele estava ficando tão séria que todo mundo começou a se preocupar”, disse sua mãe, Dora Reid. “É muito diferente conversar com ele agora… Eu não poderia pedir uma bênção maior, com exceção da cura do Aidyn. Esta é uma benção que está além das palavras.”

Matthew é um adolescente alto, com duas irmãs mais velhas e um irmão, Aidyn – que mora com ele em Waverly, Geórgia, junto com Dora e Mark Reid. Sua gagueira o faz prolongar sons e algumas vezes bloquear nas palavras. Estudante em regime domiciliar por três anos, devido ao bullying e aos problemas médicos de Aidyn, ele teve que parar o tratamento fonoaudiológico quando seu irmão foi diagnosticado com leucemia e precisou passar por nove quimioterapias, 25 radioterapias e 11 cirurgias.

Matthew admite que, por causa de sua gagueira, a escola era um lugar muito difícil de frequentar, por isso ele não conseguia mais conter a expectativa de usar o aparelho, para ver se finalmente conseguiria retornar à escola como um aluno da oitava série. “Toda semana tinha um garoto na escola que ficava me importunando”, diz Matthew. “Eles são assim, não respeitam a dificuldade do outro. Eu só queria conseguir falar com um pouco mais de facilidade, para que parassem de ficar zombando de mim.”

O caminho para chegar até o Speecheasy começou quando a equipe da clínica Wolfson notou a gagueira de Matthew no dia em que ele foi lá visitar o irmão Aidyn. Foi então agendada uma avaliação para que ele testasse o Speecheasy. Nesta avaliação, depois de experimentar o aparelho, ele foi solicitado a escrever uma redação contando como a gagueira afetava sua vida. O texto foi inscrito no prêmio escolar Sean Anderson e acabou ganhando o concurso.

Criado por um casal morador de Ocoee, Andy Anderson e Martha Lopez-Anderson, o prêmio escolar distribui anualmente aparelhos Speecheasy e tratamento fonoaudiológico para crianças que gaguejam. Ele foi batizado em homenagem ao filho deles, Sean, de 10 anos, que recebeu o aparelho nove meses antes de sua morte, no início de 2004.

Semelhante a um minúsculo aparelho de surdez, o Speecheasy, um dispositivo de 5.000 dólares, produz um estímulo auditivo capaz de facilitar a fluência da fala em pessoas que gaguejam.

Semelhante a um aparelho de surdez, o Speecheasy, um dispositivo de 5.000 dólares, reproduz no ouvido do usuário um estímulo auditivo que causa um fenômeno conhecido como “efeito coro”. Esse efeito ocorre quando alguém fala em simultaneidade com outra pessoa, e tem a propriedade de facilitar a fluência em pessoas que gaguejam, diz Judy Hammer-Knisely, a fonoaudióloga que fez a avaliação de Matthew. “Portanto, o que o aparelho faz é deixar a pessoa sempre com a impressão de que há alguém falando junto com ela, para que isso facilite sua fluência.”

Hammer-Knisely, depois de adaptar o aparelho ao ouvido de Matthew, pediu a sua mãe para ajudá-lo com exercícios simples. “Como você acha que isso vai ajudá-lo com seu irmão?”, perguntou Dora Reid ao filho. “Vai me ajudar muito, porque eu agora vou poder conversar mais com ele”, Matthew respondeu.

A Sra. Lopez-Anderson falou da lembrança evocada por aquele feliz momento da primeira sessão de Matthew, enquanto segurava a última foto de seu filho Sean: “Vejo em sua fala e em seu comportamento o mesmo progresso e melhora que vi em meu filho”, ela diz com lágrimas nos olhos. “Uma criança deveria ter a oportunidade, além da terapia fonoaudiológica, de conseguir uma melhora real em sua gagueira, qualquer coisa que desse a ela as ferramentas para não se retrair na vida.”

Este é o quarto ano que uma criança atendida pela clínica de reabilitação Wolfson recebe o Prêmio Escolar Sean Anderson.

Leia abaixo um trecho da redação de Matthew, “Como a gagueira afeta a minha vida”:

“A gagueira afeta a minha vida porque, onde quer que eu vá, as pessoas tendem a rir de mim. Isso é muito estressante. Na quarta série, quando a professora me chamava para responder uma pergunta, a classe inteira começava a rir. No recreio, os garotos faziam um círculo em volta de mim, me batiam, me empurravam e diziam: ‘Ha, ha, você é gago, seu estúpido’, o que tornava a minha gagueira ainda pior.”

“Às vezes, quando alguém faz piada, uso isso para ficar mais forte e aprender a ignorar, mas é muito difícil. […] Eu também tenho TDAH, e isso definitivamente não me ajuda. A pior parte da minha gagueira é que eu tenho um irmão que tem só dois anos e está com câncer. Os médicos não encontraram o câncer até ele completar 14 meses, mas tenho esperança de que ele vai melhorar.”

“Quando testei o Speecheasy, fiquei maravilhado e me senti pela primeira vez uma pessoa normal. Eu quase chorei e minha mãe ficou com lágrimas nos olhos. Eu não acreditava que uma coisa assim pudesse ajudar tanto. Isso significa muito para mim, ter uma vida normal pela primeira vez, poder voltar à escola, e quem sabe jogar baseball.”

Fonte original da notícia: Brother of Wolfson Children’s Hospital Patient Wins Scholarship to Fund Device that Improves Stuttering. Data de publicação: 12 de julho de 2010.
Posted in: notícias